A mordida da saudade
Tem a dor aguda e forte.
Por menor que seja o corte
Ela sangra de verdade.
Não existe piedade
Para o seu vocabulário.
No peito, o itinerário,
É bater e apanhar,
Sem ninguém pra libertar
Um coração operário.
Tem a dor aguda e forte.
Por menor que seja o corte
Ela sangra de verdade.
Não existe piedade
Para o seu vocabulário.
No peito, o itinerário,
É bater e apanhar,
Sem ninguém pra libertar
Um coração operário.
No ofício ordinárioA saudade mostra as presas
Como quem quer pôr em mesas
O que tem em seu armário.
Nem no mundo imaginário
Alguém concebeu um dia
Que a saudade possuía
Essas armas perigosas
Que entram silenciosas
Na carne de quem lhe cria.
Haja jogo e maestria
Pra manejar o amor
Não o deixe, por favor,
Se ausentar algum dia.
A saudade é a rebeldia
Que logo se manifesta
Diz que o amor não presta
E de louca morde a cuca
Fazendo a maior muvuca
No que antes era a festa.
Não o deixe, por favor,
Se ausentar algum dia.
A saudade é a rebeldia
Que logo se manifesta
Diz que o amor não presta
E de louca morde a cuca
Fazendo a maior muvuca
No que antes era a festa.
Sem querer bater de testa
No mundo, a medicina
Nenhuma receita ensina
Conservando-se modesta.
Para quem ama, o que resta
É simplesmente aceitar
Como puder, esperar
Para vingar-se uma hora
O remédio, até agora,
É não deixar de amar.
No mundo, a medicina
Nenhuma receita ensina
Conservando-se modesta.
Para quem ama, o que resta
É simplesmente aceitar
Como puder, esperar
Para vingar-se uma hora
O remédio, até agora,
É não deixar de amar.
Romildo Alves
Xilo: Memorial J Borges
Xilo: Memorial J Borges
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