segunda-feira, 13 de julho de 2015

INSEGURANÇA PÚBLICA E OUTRAS CONSEQUÊNCIAS FÚNEBRES


Cemitério hoje em dia
É negócio disputado
Feito vaga a deputado
No estado da Bahia.
O mercado só amplia
Pois com tanta insegurança
Comprar cova é poupança
Quase todo mundo aplica
Quem tem terreno enrica
Às custas dessa matança.









As leis do nosso país
Não fazem jus ao que são
Prendem o bom cidadão
E o ladrão tá por aí.
Solto, comendo siri,
Sem punição pra seus atos
São espécies de contratos
De desordem social
Um normal no anormal
E o justo pagando os patos.

Os grupos de extermínio
Agindo tão livremente
Polícia deficiente
Não exerce seu domínio. 
Pai não bate em menino
Mas menino mata os pais
Tem coisa errada de mais
Onde é que vamos parar
Já não dá para aceitar
O que vemos nos jornais.

Não podemos conviver
Com tanta vida ceifada
Como se valesse nada
E nada poder fazer.
Pois nada poder trazer
Quem foi e deixou de ser
Partindo do nosso lado
De um presente a um passado
Da forma mais prematura.
Sem tratamento nem cura
Pra fazer parte de um dado.

Da cidade ou do campo
Se morrer tem que enterrar
Em outros casos cremar
Mas para aumentar o pranto,
É difícil achar um canto
Para acomodar um ente
Jogam fora um corpo quente
Pois espaço já não há
E aquele ficar lá
Vão lhe fazer igualmente.

Tantos planos funerais
Oferecem cobertura
Do velório à sepultura
Nas formas convencionais:
A mortalha e os florais
Velas, chás e cafezinhos,
Cadeiras toldos, banquinhos,
O transporte e o caixão,
Dispensando força à mão
“Fazendo tudo sozinhos”.

Ainda no mesmo plano
Está inclusa uma cova
Que ninguém sabe se é nova
Ou usada a mais de ano.
O fato é que sem um dano
Esgotam as unidades,
Gerando necessidades
De adotar por critério
Fazer outro cemitério
Com maior capacidade.

Mas eles vão mais além
Do que os convencionais
E em nada são iguais 
Aos modelos que já têm.
Tanto que olhando bem
Pode-se admitir 
Querer morar e curtir
Entre os jardins e as artes
Aquele mundão sem partes
Que até parece sorrir.

Mas morar ali só vai
Quem deparar-se com a morte
Aquela acertada sorte
Que sobre todos recai.
Quem não gozará um “ai”
Da beleza e do prazer
É quase inútil querer
Uma morada assim
Haja vontade e “din-dim”
Para se satisfazer.

Pra quem pensa não haver
Clientes o suficiente 
Se enganam redondamente
Pois sabem tão bem fazer.
Montam stands pra vender
E a preços promocionais
Em cem parcelas iguais 
Vão vendendo antecipados
Pra quando enfim fabricados
Não haver reservas mais.

Apesar das promoções
É grande a desigualdade
Embora a tragicidade
Não escolha dimensões.
São comuns ocasiões
Que um pobre falecido
Com um corpo apodrecido
Vai dividir o espaço
Por outro lado, o ricaço
Tem lugar vago e varrido.

Uma pergunta aqui cabe
Cadê as leis e o direito
Que a um trata de um jeito
E a outro nem a metade?
Cadê a tal igualdade
Grandemente propagada?
Que igualdade, que nada!
Até mesmo nessa hora
O pobre cai na espora
E a sua dor é dobrada.

A morte quando lhe vem
Pelas mãos de um assassino
O esquecimento é o destino
Que aquele infeliz tem.
Mas se ao rico também
A violência se impõe
A mídia se interpõe 
Repercute nos jornais
E o assassino jamais
Ficará sem punções.

A polícia nesse instante
Toma pra si o direito
De levar tudo no peito
Com sua força volante.
Não há nada que acalante
Seu poder destruidor
Bate em trabalhador
Invade sua morada
Deixa toda revirada
E nem fala quem mandou.

Vai embora revoltada
Com uma raiva tamanha
Enquanto que um sem vergonha
Nas ruas à mão armada
Deixa um cidadão sem nada.
Até mesmo o documento
Pra lhe dar mais sofrimento
Além da impunidade
Sujeito a outra maldade
Pelas mãos desse elemento.

Ao pôr as mãos finalmente
Sobre o homem procurado
Vão lhe guardar com cuidado
Para soltar brevemente.
Isso porque lá na frente
Em uma esquina ralé 
A vingança está de pé
Furiosa a lhe esperar
Pronta para perfurar
Seu corpo como quiser.

Ao sofrer essa ação
Ninguém procura saber
Quem foi que fez, vão dizer
Que é clara a explicação
Se tratava de um ladrão, 
Assassino, coisa e tal
Tudo volta ao seu “normal”
Entre os muros e os portões
Guardados por cães grandões
Como o gado no curral.

Ás vezes a gente tem
A pavorosa impressão 
Que atamos pé e mão
E nos cegamos também,
Pois nada somos além
De uma voz silenciosa
Desesperada e medrosa
No ventre da escuridão
Gesticulando em vão
Uma ajuda generosa.

Falta a expressão exata
Pra falar de certos fatos
Queremos logo com atos
Devolver na mesma lata.
Achamos a vida ingrata
Porque tudo é fatal
Pra não dizer que o mal
Em sua totalidade
Sem freio e com liberdade
Tá vencendo no final.

A covarde atitude
Que vitima uma jovem
Vitima os que promovem
Pois matam a juventude.
As drogas é o quê ilude 
É a razão para o crime
Não há nada que elimine
As dores que ali nascem
Por mais que os anos passem
A sua lembrança oprime.

Noticia quando se espalha
Os detalhes só aumentam
E os que sabem lamentam
O corte dessa navalha.
Uma só bala atrapalha
A vida de mãe e filha
A primeira da família
Por algum tempo sonhada
Quatro meses de gerada
E um quarto na mobília.

O esposo e pai que chora
Perde da vida a razão
Ao ver dentro de um caixão
A sua mais bela aurora.
Apressada, indo embora
Decretando a escuridão
O frio e a solidão
Na sua alma ferida
Vive uma vida sem vida
Num mundo de ilusão.

A saudade que lhe habita
Sempre lhe vai lhe arremessar
A um sorriso, um olhar
Uma expressão bonita.
Mas se for pra ser descrita 
Só o silêncio sucede
Porque a dor não concede
Uma palavra sequer
Só por milagre, se houver
A sua vida procede.

Até quando viveremos
Pisando em casca de ovo
Sem paz, amor, sem renovo. 
Coisa que não escolhemos?
Grandes males padecemos
Nesse cenário atual
Mata-se por um real
E por um milhão se cala
“Um mala por outra mala”
Em campanha eleitoral.

Cadeias superlotadas
E o descaso do poder
Culminam em acontecer
Tragédias anunciadas
A criança é queimada
Dentro de um coletivo
O crime organizado ativo
Comanda desenfreado
De um presídio reforçado
“Desde o céu até o piso”.

O sistema prisional
Muito falho em procedência
Não devolve a decência
À quem agiu ilegal.
Forja nele um marginal
Da pior categoria
Nem ele mesmo queria
Mas não vê outra saída
Faz do crime sua vida
E com a vida paga um dia.

Sobre leites derramados
Ninguém deve mais chorar
O Estado que ditar
Uma série de cuidados.
Os pais ficam ameaçados
Pelos direitos humanos
Os filhos sob esses panos
Não levam nem “uns tapinhas”
Mas depois de “trombadinhas”
Caem no “tapa” e no “cano”.

Nas saidinhas bancárias
Tudo é mais perigoso
Um bandido horroroso
É o mestre da fraudaria.
De correção monetária
Sabe tudo e muito mais
Quanto possui em reais
Na conta do vitimado
Que fica negativado
Não se conserta jamais.

Os caixas são explodidos
Ninguém prende os infratores 
Que vão aos interiores
Pelos sertões, esquecidos.
Deixam os bancos “varridos”
E a população com medo
A viatura é o brinquedo
Deixam toda perfurada
Dão moedas às calçadas
E pra câmera “dão o dedo”.

Ver a máfia do caixão
Chaga a ser repugnante
Aliciam o vigilante
Pra lhes dar a permissão.
Cavam a cova, metem a mão, 
Roubam ouro do defunto
Depois “matam” o assunto
Roubam o caixão também
Não sabemos quem é quem
Morto e vivo quando juntos.

O povo preocupado 
Leva projeto ao prefeito
Que prometendo um jeito
Encaminha a um deputado.
Por lá fica engavetado
Nosso grito por justiça
No desprezo e na preguiça 
De quem tem o “rabo preso”
Pois quer se sair ileso
Das garras de uma milícia.

Pelo fim desses mercados
Cuja vida é a moeda
Valores vivendo em queda
E por tão pouco, trocados.
Deixo aqui depositados
Vinténs de perseverança
Poia a minha esperança
Nesse novo investimento
É lucrar bem e a contento,
Amor, paz e segurança.


Romildo Alves 

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